quarta-feira, novembro 21, 2012

Ideologia


Não ligava de lutar. Nem mesmo quando tinha de se embrenhar na mata, picado por mosquitos e outros insetos. Nem de ficar de tocaia a noite, deitado na lama, esperando pelo inimigo que às vezes não vinha, ou vinha quando não era esperado. Talvez como agora...


O que o incomodava era a falta de um ideal para justificar estar ali. Por exemplo, seu avô lutara na Segunda Guerra Mundial, um americano desembarcado na Normandia, lutando pela liberdade. Já o avô de seu amigo, descendente de alemães, lutara ao lado dos nazistas, pela supremacia ariana. Seu amigo costuma brincar dizendo que só no Brasil os dos estariam do mesmo lado.


Só no Brasil... lembrou-se da Guerrilha dos anos de chumbo. A luta contra a ditadura era um forte motivador. Algo maior que transcendia a vida pessoal de cada um.

Sempre que se manifestava a respeito, lhe diziam que ideologias eram mentiras disfarçadas e muitos que lutavam em nome delas acabaram se decepcionando.

Mas agora ele queria uma, mesmo que fosse uma mentira. Uma mentira pela qual lutar e até para ter uma decepção.

Era melhor do que aquilo. Lutar apenas para continuar vivo. E para quê? Para herdar um mundo totalmente destruído? Para reconstruir uma sociedade que perdera todos os seus valores?

Estava na hora de parar de pensar. Já ouvia os gritos dos inimigos e de suas vítimas.

A vantagem de lutar contra zumbis era que eles não eram nem um pouco discretos.


Alvaro 2010
imagem: foto histórica da  II Guerra Mundial.
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