domingo, maio 12, 2013

Mãe


Madame Monet e criança no jardim - Claude Monet

- O que é "mãe"? - Perguntou a menina ao seu robô de cabeceira
- Na Terra eram as mulheres que geravam as crianças em seus ventres, e os chamavam de "filhos". Aqui isso não foi possível.
- Por quê?
- Você sempre pergunta, não é mesmo? No passado, para salvar uma pequena parte da humanidade, óvulos fecundados foram gerados e congelados e ficaram a cargo de robôs-babás, como eu, à espera de um mundo a ser colonizado. Quando isso acontecesse, então, seriam descongelados e educados até virarem adultos e descerem no planeta.
- Você diz que eu crescerei e me tornarei uma mulher. Então poderei ser mãe, gerar uma criança em meu ventre?
- Sim.
- Isso seria bom?
- Como eu tenho lhe ensinado, tudo tem seu lado bom e ruim.
- Conte-me o lado ruim.
- Você levará nove meses para gerar um filho. Pode sentir cólicas, enjoos e dificuldades de locomoção. Quando seu filho nascer...
- Nascer?
- Sim. Sair de dentro de você. Quando ele nascer, será com dor ou por meio de uma intervenção cirúrgica, que poderá deixar sequelas em seu corpo. Depois que o filho nascer, terá que amamentá-lo, às vezes no meio da noite. E, se ele ficar doente, terá que cuidar dele, às vezes varando a noite em claro.
- Credo! E mesmo assim as mulheres queriam ser mães?
- A maioria que se tornou mãe, de fato queria. Das que não queriam, algumas se sentiam obrigadas a isso e outras não sabiam como evitar.
- Por que alguém iria querer uma coisa dessas?
- Pelo seu lado bom. As mães que desejavam sê-lo, sentiam um prazer enorme em gerar a criança, um ser que crescia pouco a pouco precisando de seu carinho e cuidado. Após ele nascer, elas sentiam-se bem ao cuidar dele e dar-lhe seu amor. A cada dia, se admiravam com seu desenvolvimento e crescimento. Adoravam ensinar-lhes a falar e andar. Acompanhá-los no seu dia a dia, levando-os e buscando-os no que se chamava escola. Educando-os com amor, mas com dureza quando necessário. E, às vezes, a criança lhe devolvia o amor, que a mãe enxergava em dobro ou triplo. E isso era maravilhoso, fazendo-a esquecer das dores e dificuldades.
- Você é minha mãe?
- Não. Sou apenas um arremedo. Cuido de você, lhe educo, dou lhe atenção. Mas não posso lhe dar o amor que uma mãe poderia dar.
- Queria ter tido uma mãe...
- Eu também. Eu também! 
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